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O Milho e a Transcendência

Essa semana veio um milho pra mim. Na verdade dois. Na caixa de frutas e verduras que me chega toda semana vieram esses milhos. Aqui no Chile milho é coisa do verão, então a galera aproveita essa época do ano para cozinhar tudo relacionado a isso. Uma pena que eu não goste dessa parte da culinária chilena. No início confesso que pensei “que saco, o que vou fazer com esses milhos?”. Eu gosto de milho. Muito. Em geral, todos os brasileiros que eu conheço gostam. Os nordestinos e paulistas associam milho e comidas relacionadas à junho e festas juninas. Talvez pela porcaria da cultura religiosa que eu cresci, não tenho costume de festa junina. Mas o fato é que eu tenho a impressão que nós, goianos, nunca precisamos de festa junina para comer tudo o que vem do milho. Em Goiás comer milho não tem época. É todo dia. Temos nossa pamonha - indiscutivelmente a melhor do Brasil, e tantas outras coisas de milho que consumimos diariamente, sem nenhum ritual de celebração. Só a fome e o gosto por co...

Banheiro tem manha

Banheiro tem manha. Há alguns anos eu li em algum lugar que é uma coisa muito brasileira perguntar se o banheiro tem alguma manha. É mais ou menos assim: você chega na casa de alguém e essa pessoa te mostra onde você vai dormir e que banheiro usar - porque sim, nós sempre tomamos banho. E logo vem a explicação de como usar a ducha. Se tem manha ou não. Já vivi isso muitas vezes. Perguntando pro amigo ou explicando. E hoje, pensando nisso, me ocorreu que talvez isso seja herança dos nossos majoritariamente banheiros com aquecimento elétrico, aqueles que dão choque. Lembra que tinha um lance que se você tomasse banho de havaianas não levava choque? Ou se tivesse algum machucado ou cutícula aberta o choque era certo. Era isso mesmo? Não lembro muito bem, só sei que alguém meio que sempre explicava o uso correto do banheiro, incluindo ducha e privada. Pensei nisso hoje ao tomar banho no meu banheiro - cujas manhas já conheço de cor. Depois de longas horas de aeroporto entre Orlando, Dallas...

Aqui Você Pode

     Os Estados Unidos é um país interessante. Mistura de tudo e de todos, e ao mesmo tempo com a possibilidade de ver tudo e todos de um modo separado. Existe um America’s melting pot , mas você olha dentro e rapidinho vê os elementos separados. Desde a primeira vez que eu pisei aqui eu senti várias coisas. Lembro do que foi caminhar pelo O'Hare, o aeroporto gigante de Chicago em que cheguei pela primeira vez. Em algum momento do caminho olhei pra cima, vi umas luzinhas...provavelmente sorri comigo mesma me sentindo completamente "em casa". Então sim, pra mim aqui tem um pouco disso, de me sentir em casa, mesmo nunca tendo morado um período tão longo de tempo nessas terras.  Se eu acreditasse em vidas passadas seria muito interessante confirmar em que época morei aqui. Quase tudo daqui me parece familiar, como se eu já tivesse vivido isso antes. Aqui não me sinto estrangeira - tanto que adoro quando me perguntam de onde sou, e aí tenho a oportunidade de di...

Tucson, SUN 12 - os arredores.

     Estou num hotel que, ao parecer, fica meio na periferia. No centro é que não é. Mas é uma área perto da universidade do Arizona. Então claro, saí pra caminhar.      Cidade meio deserta. Uma ou outra pessoa nos parques. Notei logo que o parque não tinha grama verde. Percebi meu estranhamento, que logo foi recebeu o argumento de “pô, a cidade é no meio do deserto, você queria o que?”. É..parques cor de terra, areia, cascalho, sei lá. Ruas sem calçada. Asfalto craquelado, com cara de que precisa receber uma operação tapa-buracos, dessas superfaturadas que resolvem pouco, que parece que enchem os buracos de areia.       Cidade estranha. Parece que falta vida.       De repente uma família com umas crianças brincando no parque - que tá mais pra praça. Pareciam felizes. E eram os únicos ali. Cadê as outras pessoas, será? Será que estão em casa sozinhas vendo televisão? Deve ser.      Há algum tempo sempre...

Tucson, SUN 12 JAN

       Fazia tempo que eu não pegava um vôo tão longo. Desses de mais de 10 horas.      Sim, eu sei que eu viajo mais do que a maioria dos brasileiros (e chilenos) médios. Conheço muito bem o aeroporto de Guarulhos e o de Santiago. Sei onde ir, lugar melhor pra comer, descansar, tempos da sala VIP até os portões, onde comprar livro, onde tem promoção de água, onde tem sala VIP que tem garrafa de água que dá pra levar.      Tenho lado favorito pra voar - o esquerdo, e por muito tempo eu gostava de voar na fila 17. Mas isso é coisa do passado, quando eu era jovem, não tinha pressa e tinha uma bexiga maior, que não requeria tanta manutenção - leia-se: eu fazia bem menos xixi. Sempre me pergunto se realmente a bexiga encolheu ou eu simplesmente passei a tomar muita água.      Ano passado vim pra cá - EUA. Caminho conhecido, aeroporto conhecido - Miami, que horror!, linha aérea conhecida - American Airlines, outro horror. ...